Pensar. Na concepção de alguns, é algo praticado somente por
“intelectuais”. Mas será que alguém
nasce com tal título, ou lhe é atribuído no decorrer de sua vida? Para certas
pessoas, intelectuais são aqueles que vivem tomando café, são barbudos,
utilizam óculos e têm relações somente com os livros – mais uma prova de que
sua aparência diz à sociedade quem você é. Ah! E há quem diga que uma pessoa
inteligente só pode ser feia e esquisita, pois a beleza só atinge os seres
“burros”.
Diversas vezes noto que alguma pessoa só lê e pensa (ou
finge) para alcançar um status,
levando as pessoas ao seu redor a acharem que é realmente culto e inteligente. Eis
a questão: ser culto. Como algo magnífico se torna tão clichê? Hoje em dia não
há mais a concepção de ler e estudar para satisfazer desejos pessoais; criou-se
a necessidade de mostrar a todos que é “culto”. Lembrando que as pessoas acham
que cultos são aqueles antiquadros que ouvem música clássica, escrevem poemas e
várias outras coisas. Isso é só uma pequena percepção do que a sociedade se
tornou (fútil e apreciadora de aparências).
Vale ressaltar a falta de pensamento maduro e lógico na
postagem de arquivos em diversas redes sociais. As pessoas insistem em mostrar
que possuem vida social, que se alimentam ou qualquer coisa frívola do gênero.
O ser humano não entende que para exigir melhoras no mundo é necessária a
melhoria do próprio ser. Paulo Freire usou de grande sabedoria ao dizer que “a
Educação não muda o mundo. A educação muda pessoas. Pessoas mudam o mundo”.
Mas vamos ao principal ponto do texto. Durante um debate com
um amigo meu, este começou a se questionar e, consequentemente, a me
questionar. Isso me fez lembrar quando passei por momento semelhante: ser
compulsiva por pensamento. Concordo quando ele disse que “pensar é contagioso e
viciante”. Concluo que pensamentos podem ser tanto um remédio como um veneno.
Mas se as pessoas falam que devemos pensar, porque quando começamos a fazê-lo,
devemos parar quando chegamos a certo ponto? É confuso. Mais eis uma possível
resposta: quando pensamos demais, surgem abundantes dúvidas sem resposta
alguma; já que não conseguimos encontrar aquilo que precisamos, devemos parar,
pois a continuidade não nos levará a lugar nenhum. Pensando nisso é que percebo
o quanto o ser humano é esquizofrênico e incapaz. Não consegue suportar muita
coisa. Mas a principal dúvida é: Será que seria melhor se nós pensássemos
apenas aquilo que garantisse nossa sobrevivência, como os animais? Para piorar (ou
melhorar) o andamento do pensamento, quero ressaltar que Descartes percebeu que
a única verdade totalmente livre de dúvida era a que ele pensava. Logo, chegou
à conclusão de “penso, logo existo”. Concordam com ele? Será que é por isso que
as pessoas vivem numa mentira que acreditam que é a absoluta verdade? Acho que
todos nós sabemos que precisamos alterar alguns de nossos conceitos. Mas, ainda
estou pensando sobre tudo isso.
Por: Mylena Santos
